ILHA DO MARAJÓ: A maior ilha fluviomarinha do mundo!

Viagem realizada em junho/2017


Desde que conheci Belém (e me apaixonei completamente por lá) fiquei com muita, mas muuuita vontade de conhecer outros lugares no Pará. Foi aí que comecei a pesquisar mais sobre o turismo paraense e encontrei dois destinos que fizeram meus olhos brilharem e meu coração até bater mais forte: a Ilha do Marajó e o vilarejo de Alter do Chão (em breve o post dessa vila estará aqui no blog também). As fotos que eu via, repletas de deslumbrantes paisagens rústicas, me despertaram muita curiosidade e os dois lugares acabaram entrando na minha wish list, só esperando uma oportunidade para ir até lá conhecê-los (oportunidade = promoção de passagem + folga/férias do trabalho, rs).

A Ilha do Marajó é banhada pelo oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins, e é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo! Ela tem mais de quarenta mil metros quadrados e faz parte da região amazônica (assim como Belém). O clima é quente e úmido, repleto de lindas paisagens com muitos animais e aves diferentes. O contato com a natureza acontece em quase todos os passeios, que vão desde caminhadas em praias selvagens até visitas a fazendas. Sem falar no rico artesanato e na deliciosa gastronomia típicos dos marajoaras (os indígenas que habitaram a ilha há milhares e milhares de anos).

Foi aí nessa ilha que rolou minha segunda experiência em terras paraenses. Vi uma promoção de passagem aérea para Belém em uma emenda de feriado. Teria quatro dias para conhecer a ilha. Era o tempo que eu precisava! A partir daí foi uma busca incessante por informações sobre horários de barcos, pousadas, passeios... Foi então que descobri que pouco se fala sobre essa ilha. As informações que eu encontrava, principalmente sobre os horários dos barcos/catamarãs/balsas/lanchas, se desencontravam. Cada site falava uma coisa. Até ligar no Terminal Hidroviário de Belém eu liguei e acreditem: também me passaram informação errada... Só descobri os horários exatos de partida e chegada dos barcos quando estava lá em Belém, no dia da viagem, mas felizmente tudo deu certo!

Meu voo partindo de São Paulo chegou em Belém de madrugada, por volta de uma hora. Acabei dormindo ali mesmo, no banco do aeroporto, pois às cinco da manhã já teria que estar no Terminal Hidroviário. Esse terminal é novo e tem uma ótima infraestrutura! Há banheiros, lanchonete, lojinhas... E é super movimentado! Cheguei lá cinco e pouquinho da manhã e já estava bombando. Ele fica na mesma rua da Estação das Docas e é daí que saem os barcos para a ilha. Há mais de uma empresa que faz a travessia e cada tipo de barco sai em um horário diferente. A passagem pode ser comprada na hora, porém se você for viajar na alta temporada ou em feriados talvez seja mais prudente comprar com antecedência. Comprei a passagem para o barco das seis da manhã (que só leva passageiros, se você quiser fazer a travessia junto com um carro terá que pegar uma balsa em um outro porto que fica na cidade de Icoaraci). Como a fila é grande, os atendentes são bem objetivos e rápidos.

O dia estava amanhecendo quando o barco partiu de Belém
O barco é bem grande e cabe muuuitas pessoas!

A hora do embarque foi um pouco tumultuada. Não tinha uma fila organizada e boa parte das pessoas era meio desesperada para entrar no barco e pegar o melhor lugar (me lembrou os trens daqui de São Paulo em horário de pico, rs). Ficamos navegando por mais ou menos três horas e meia até chegar no Porto de Camará, em Salvaterra, já na Ilha do Marajó. A hora do desembarque foi mais tumultuada ainda. Todo mundo querendo sair primeiro e sem muita paciência para aguardar o barco encostar no píer e abrir o portão. O pessoal pulava pela janela. Foi tenso e achei todo esse alvoroço meio desnecessário... Dali do porto, peguei uma van que me levou até a Pousada Aruanã, em Soure, onde fiquei hospedada. Soure e Salvaterra são as duas cidades mais conhecidas da ilha e são separadas pelo Rio Paracauari. A travessia é feita em dez minutos por uma balsa, mas não é necessário nem sair da van durante esse trajeto.

A Pousada Aruanã tem uma localização excelente. Ela fica bem no centrinho de Soure, perto de restaurantes, do píer da balsa e de todo comércio da cidade. O atendimento foi ótimo! Recebi todas as informações que queria sobre a ilha e sobre os passeios. E o wi-fi também pegou direitinho durante os três dias que fiquei por lá. A estrutura da pousada como um todo é bem simples (assim como quase tudo na ilha) e o café da manhã bem fraquinho e com poucas opções. A parte que mais me desagradou foi o banheiro. O chuveiro quase não esquentava. Sei que lá faz um calorão danado, mas, mesmo estando em lugares quentes, não consigo tomar banho frio e senti muuuita falta de uma água morninha. O preço da diária para um feriado foi ok, mas não sei se me hospedaria lá novamente.

Pousada Aruanã
Quartos (à esquerda) e piscina (à direita)

Soure é a cidade que tem a melhor infraestrutura para atender os turistas que chegam na ilha. Há mercados, padarias, farmácias, restaurantes... Porém tudo é muito simples e bastante rústico. Boa parte das ruas do centro são asfaltadas, mas é só sair dali da área do comércio que elas perdem o calçamento e a terra toma conta de tudo. Gostei bastante de uma igrejinha que tinha por lá, a Igreja Matriz. Ela é muito charmosa e foi construída por volta de 1937.

O centrinho é banhado pelo rio Paracauari e esse foi um dos cantinhos que mais gostei na cidade. Na orla há um pequeno calçadão com praça e píer, e aos finais de semana sempre há barraquinhas vendendo artesanato e comidinhas típicas da região. Durante o dia o local é super pacato, mas é só começar a entardecer que o movimento fica cada vez mais intenso. Também pudera: o pôr do sol visto dali é muuuito lindo e certamente foi um dos momentos mais especiais da viagem! Ali no rio também dá para fazer passeios de barco pela região, mas infelizmente não deu tempo de fazer nenhum...

Igreja Matriz
Rio Paracauari
Pôr do sol

Basta uma pequena caminhada pelas ruas de Soure para você notar que há muuuitos símbolos marajoaras reproduzidos nas fachadas e calçadas de algumas casas e comércios. Esses desenhos produzidos pelos antigos habitantes da ilha é algo muito presente e marcante por lá. Em qualquer lugar que você vá, certamente dará de cara com algum desses desenhos. A cerâmica marajoara, por exemplo, é o artesanato mais famoso (e conhecido internacionalmente!).

Há alguns ateliês na ilha, mas só consegui visitar um deles: o do casal Carlos e Rosângela Amaral. Fui muito, mas muuuito bem recebida por esses artesãos! Eles foram super simpáticos e me mostraram todo o processo de modelagem e colorização das cerâmicas, além de me explicar o que cada desenho e peça significava. Tudo que eles produzem por lá é feito manualmente, seguindo as técnicas milenares dos índios aruás, uma das tribos que habitavam a região. Até a matéria prima e as ferramentas são tiradas da natureza da própria ilha. O Carlos até modelou um vaso na minha frente. Foi um dos momentos mais inesquecíveis da viagem!

Ateliê do Carlos e da Rosângela Amaral
O ceramista Carlos modelando uma peça (à esquerda) e peças à venda (à direita)
O ateliê

Além do artesanato marajoara, outro passeio que é super procurado pelos turistas são as visitas às fazendas criadoras de búfalos. Acredite: a Ilha do Marajó possui o maior rebanho desses bichinhos aqui no Brasil. Parece piada, mas lá tem mais búfalos do que gente! O primeiro passeio que fiz assim que cheguei na ilha foi uma visita à Fazenda Bom Jesus, uma das maiores. Essa visitação precisa ser agendada com antecedência e o próprio recepcionista da pousada providenciou isso pra mim. Um diferencial super aprovado é que essa fazenda é a única da região que tem o serviço de leva-e-traz. Isso não é comum lá na ilha (nos outros lugares que fui, tive que contratar um moto táxi para me deslocar). O início do passeio foi marcado por muita chuva. Até fiquei um pouco desanimada... Felizmente, depois de uns vinte minutos que chegamos, a chuva parou e continuamos a visita com muito mais tranquilidade.

Entrada da Fazenda Bom Jesus
Búfalos e paisagens lindas por todo lugar
A chuva deu uma trégua na hora de começar a caminhada
Vi muuuitos bichinhos por lá

Toda a fazenda é plana e a caminhada, apesar de longa, é super tranquila. O que mais vimos por lá foram búfalos, de várias espécies. Mas também há outros animais, como cavalos, bichos-preguiça e muitas, mas muuuitas aves. Um momento super emocionante foi a revoada dos guarás! Acho que esse é um dos momentos mais aguardados pelos visitantes. Foi muito lindo! Como o tempo estava nubladinho, não rolou de ver o pôr do sol (que também dizem ser espetacular). No final do passeio a fazenda ofereceu um chá da tarde M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, repleto de quitutes típicos da região. Tudo estava muito gostoso e saí de lá rolando de tanto comer! rs Ah, quase esqueci de contar que na hora que pegamos o barco para voltar à portaria da fazenda, caiu um temporal muuuito forte e voltei pra pousada toda molhada. Foi tenso! :)

Conheci muitas espécies diferentes de búfalos
Mais búfalos
Revoada dos guarás, muito lindo!
O final do passeio foi marcado por um temporal

A Fazenda São Jerônimo é mais uma das opções de passeio. Ela ficou super famosa depois que serviu de cenário para o programa global "No limite", lá no ano de 2001. A visita também é guiada e precisa ser agendada com antecedência. Diferente da Fazenda Bom Jesus, eles não tem o serviço de leva-e-traz e, se você não estiver motorizado, precisará contratar um táxi ou moto táxi para chegar até lá, pois a fazenda fica um pouquinho distante do centro de Soure. A recepção é feita pelo próprio dono do local, que explica as etapas da visita, separa os grupos e apresenta os guias que darão continuidade ao passeio. A primeira parte (a montagem nos búfalos) foi meio tensa e, sinceramente, só participei pra não ficar chato. Não sou muito a favor de turismo que envolva animais. Sei que cada pessoa tem uma opinião diferente e não julgo ninguém (nem a fazenda, nem os turistas que vão até lá pra isso), mas eu sinto dó dos bichinhos e passei o trajeto inteiro torcendo pra acabar logo...

Entrada da Fazenda São Jerônimo
A cultura marajoara está presente em cada detalhe
Arara (à esquerda) e o passeio de búfalo (à direita)

Depois de uns vinte minutos montada em um búfalo, felizmente essa parte do passeio acabou e fomos parar em um outro local da fazenda que eu amei: o mangue! Gente, a paisagem é surreal e surpreendente! Diferente de qualquer mangue que já vi por aí. Há muitos galhos retorcidos, árvores super altas... A gente se sente minúsculo perto da grandiosidade da mata! Para que o visitante possa cruzar o mangue caminhando, foram instaladas passarelas de madeira que se encaixam perfeitamente nesse cenário rústico. É muito lindo! Em todo o trajeto estão espalhadas plaquinhas que contam algumas das lendas mais famosas da ilha. Outra curiosidade que achei super interessante foi que uma vez ao ano é realizado um festival de ópera aí nesse mangue. Deve ser muito lindo!

Essa parte do passeio deve ter durado uns vinte minutos também. No finalzinho da passarela, dei de cara com mais uma paisagem surpreendente: a Praia do Goiabal! Essa praia é deserta e muito linda, e muito rústica! Ela é cheia de árvores enormes com as raízes expostas e retorcidas. A água tem a cor acinzentada, pois é uma mistura do Oceano Atlântico com o Rio Pará.

Passarelas no meio do mangue
Chegando na Praia do Goiabal
As árvores super diferentes na Praia do Goiabal
Praia do Goiabal

A praia termina em um igarapé. Ali, embarcamos em uma canoa e navegamos um pouquinho para observar a fauna e a flora da ilha. Os guias (sempre muito atenciosos e cheios de informação) iam mostrando os bichinhos e contando um pouco sobre as plantas e árvores que íamos encontrando pelo caminho. Foi muito gostoso navegar nesse igarapé e curtir os barulhinhos e também o silêncio da natureza. Essa parte do passeio é bem contemplativa e relaxante. Após uns trinta minutos navegando (acho que foi isso), descemos da canoa e caminhamos um pouquinho até a recepção da fazenda, onde um suco super geladinho nos aguardava para finalizarmos o passeio.

Igarapé
Bichinhos que vimos durante o passeio
A canoa

O final da estradinha onde fica a Fazenda São Jerônimo é na famosa Praia do Pesqueiro. É muito comum os turistas saírem da fazenda e irem pra lá. Ela é muuuito linda e foi a minha preferida na ilha! A areia é branquinha e tem muitas cabaninhas de palha que deixam o lugar ainda mais charmoso e rústico. Como essa praia é super extensa (ainda mais quando a maré está baixa), a tranquilidade reina por lá.

Praia do Pesqueiro
Linda demais!

Outra praia que conheci foi a Praia da Barra Velha. Ela fica bem mais próxima do centro de Soure, são apenas três quilômetros. Quem gosta de caminhar, dá até pra ir andando. Como meu tempo estava um pouco curto, preferi ir e voltar de moto táxi. Essa praia não é tão extensa quando a do Pesqueiro, principalmente se a maré estiver alta. Ouvi dizer que quase não sobra faixa de areia quando a água sobe. Felizmente, quando estive por lá a maré estava muuuito baixa e pude caminhar bastante.

Essa praia não é tão tranquila quanto a do Pesqueiro, pois os quiosques colocam som bem alto (um tecno brega bem arretado! rs). Ela pode ser acessada de duas maneiras: diretamente pela praia (apenas quando a maré está baixa) ou por uma passarela de madeira que cruza um mangue. Na ida eu fui pela praia e na volta, pela passarela (muuuito mais legal). Tanto a Praia do Pesqueiro, quanto a da Barra Velha possuem boa infraestrutura turística (tem quiosques e restaurantes). Tudo muito simples, claro!

A maré estava super baixa
Praia da Barra Velha
Carcarás praieiros
Casinhas de madeira típicas da região amazônica (à esquerda) e passarela de acesso à praia (à direita)

Simplesmente amei a Ilha do Marajó! Tudo por lá é muuuito simples, mas acho que é isso que dá o clima gostoso da ilha. Amei os passeios nas duas fazendas, as praias, a natureza, a simpatia dos moradores... O acesso não é tão fácil e talvez por conta disso a ilha não faça parte daquele roteiro tradicional do turismo brasileiro. Mas isso é bom! Assim ela permanece preservada, tanto ecologicamente, como culturalmente. Infelizmente meu tempo foi curto na ilha e faltou conhecer alguns lugares. Queria ter ido nas praias de Salvaterra, ter visto as ruínas na Vila de Joanes, visitado mais ateliês, assistido a uma apresentação de carimbó, fazer os passeios de barco pelo Rio Paracauari... Faltou muuuita coisa! Sinto vontade de voltar... :S


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